Oxigênio pela chaminé: uma revolução possível

Assessoria de Imprensa thyssenkrupp CSA

Cerâmica e micro-ondas, eis a combinação que pode transformar os gases do efeito estufa em quase 100% de oxigênio em parques industriais de todo o mundo. Simples e revolucionária, a descoberta terá sua tecnologia desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que ganha o apoio do Fundo Tecnológico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES Funtec). A implantação do protótipo será realizada na thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, um dos mais modernos complexos siderúrgicos do mundo. O investimento público na construção e testes de um dispositivo de escala pré-industrial será de R$ 8,3 milhões, durante 36 meses.

A pesquisa “Pirólise de gases por cerâmica condutora e micro-ondas” rendeu em 2012 ao inventor, bioquímico e pesquisador Marcos Aurélio Machado o Prêmio FINEP de Inovação e o prêmio da WIPO – World Intellectual Property Organization, e foi patenteada pela Innovatus, startup sediada na incubadora de empresas da Prefeitura de Campinas, a CIATEC.

O desenvolvimento da tecnologia pela Unicamp conta ainda com um investimento adicional da thyssenkrupp CSA, por meio do programa de P&D regulado pela ANEEL e foi estruturado pela hubz, empresa carioca de inovação focada na transformação de tecnologias em negócios. Os testes em escala laboratorial foram bem-sucedidos e a fase atual é de construção dos protótipos pré-industriais que segue até 2018. A partir daí, os testes nas chaminés da termelétrica da thyssenkrupp CSA serão iniciados para comprovação da viabilidade técnica, econômica e ambiental da tecnologia em escala industrial.

O dispositivo em construção pode substituir com vantagens os filtros atualmente utilizados em chaminés, que fazem a combustão com chamas e emissão de gases do efeito estufa (GEE). Desenvolvida inicialmente para eliminação desses gases emitidos por termelétricas, futuramente a tecnologia poderá ser aplicada em chaminés de diversas outras indústrias, com adaptações do equipamento para a composição e o volume dos gases emitidos.

O que é inovador

“É a primeira vez que se utiliza a tecnologia de aquecimento por micro-ondas para quebra dos gases de efeito estufa (GEE). E o que proporcionou esse processo foi a cerâmica que desenvolvemos, cuja composição, claro, não podemos revelar”, destaca o pesquisador Marcos Aurélio Machado. “A cerâmica tem ainda vida útil ilimitada, o balanço energético da operação é positivo, os custos são baixos e a eficiência, grande”.

A eficácia do processo é o mais importante, segundo ele, já que quase 100% de oxigênio podem ser devolvidos para a atmosfera, além de outros gases inertes, de acordo com os ensaios em escala de laboratório. “Foi isso o que nos motivou: a defesa do ar que respiramos. Não podemos fugir dos métodos industriais, mas eles podem ser menos nocivos à natureza. Na realidade, o que desejamos não é só amenizar, como tem sido feito hoje pelas indústrias, mas eliminar o problema da emissão de GEE pelas chaminés. Esse é o sonho que conduz a pesquisa, desde o início”, diz.

O inventor ressalta que, além do uso de micro-ondas e da cerâmica especial, a forma de recolher e aproveitar as partículas de carbono e enxofre resultantes da pirólise também é inovadora. “Nosso sistema prevê a transformação dessas substâncias em produto comercial de alto valor agregado. Isso é outra novidade na área”, explica.

Como funciona

A cerâmica é “iluminada” por micro-ondas, que convertem a energia eletromagnética em calor, usando pouca energia para manter altíssimas temperaturas. O calor gerado pelo aquecimento (cerca de 1200⁰C) quebra as ligações químicas dos gases do efeito estufa (GEE) – entre eles hidrocarbonetos e óxidos de carbono – e os transforma em gases inertes liberados para a atmosfera, como oxigênio e nitrogênio, além de carbono sólido.

Do inventor ao empreendedor

Os cientistas e empreendedores da Innovatus realizam pesquisa e desenvolvimento de aplicações de micro-ondas há mais de 15 anos e buscavam uma empresa parceira ideal para desenvolver a aplicação para despoluição de emissões atmosféricas. A hubz, especializada na concepção e gestão de negócios inovadores, assumiu a estruturação do projeto para escalonar a tecnologia do laboratório para o mercado.

Após a concepção e formatação de um projeto, a ideia foi, então, apresentada pela hubz à thyssenkrupp CSA, que investirá R$ 1,6 milhão, além de disponibilizar conhecimento no segmento e a infraestrutura para implantação e testes do protótipo. A thyssenkrup CSA é um dos mais modernos complexos siderúrgicos do mundo, com uma termelétrica que gera sua própria energia, ramal ferroviário e porto próprio.

“Reconhecemos a revolução do projeto ao ser apresentado. Sempre buscamos pela melhor tecnologia e soluções, para que resultem no melhor produto final – placa de aço de alta qualidade que atendam ás especificações de nossos clientes. Todo o processo produtivo da thyssenkrupp CSA foi pensado para ser sustentável e um projeto como esse casou perfeitamente com os valores da empresa”, explica Werner Riederer, Gerente de Eficiência Energética da thyssenkrupp CSA.

Em seguida, o projeto foi levado ao BNDES, que investirá R$ 8,3 milhões, permitindo que o consórcio desenvolva e construa os protótipos pré-industriais com o suporte da Unicamp e da CIATEC.

A hubz é uma empresa de participações que aposta em projetos inovadores com alta perspectiva de crescimento e rentabilidade. A palavra hubz relaciona-se com conexão e essa é a essência do negócio. Sua principal estratégia é atuar como um elo fundamental no ecossistema de inovação, catalizando grandes oportunidades de negócios ao conectar e apoiar pesquisadores, investidores, fontes de financiamento, universidades, empresas nascentes de base tecnológica, grandes empresas e mercado.

Desde 2010 a hubz já captou R$ 140 milhões para projetos de Pesquisa & Desenvolvimento + Inovação (P&D+I), além de assessorar grandes empresas na utilização de incentivos fiscais. “Os investimentos públicos e privados em P&D no Brasil são crescentes, mas há muito a ser feito na articulação dos diversos participantes para que esses investimentos sejam efetivos. Toda inovação é fruto de um trabalho persistente de pesquisa e desenvolvimento, mas ideias e projetos só viram inovação quando chegam ao mercado. Conhecemos a cabeça de quem faz, de quem financia e de quem compra produtos e serviços inovadores, por isso conseguimos estabelecer as conexões certas e gerenciar inovações como empreendimentos”, diz o sócio-fundador, José Lavaquial.

Sobre a thyssenkrupp CSA

A thyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, inaugurada em junho de 2010 no Distrito Industrial de Santa Cruz (Rio de Janeiro- RJ), é um dos mais modernos complexos siderúrgicos do mundo. Com a capacidade de produzir 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano, possui um porto próprio na Baía de Sepetiba e uma termelétrica que gera até 490MW de energia, permitindo a autossuficiência da planta e o atendimento de cerca de 1 milhão de residências. A thyssenkrupp CSA gera mais de seis mil empregos diretos, dos quais 61% são moradores da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Indiretamente, a siderúrgica gera mais 10 mil de empregos na cadeia produtiva.

Informações para a Imprensa:

Fernanda Romano – 21 – 2141-0023
fernanda.romano@thyssenkrupp.com